domingo, 31 de maio de 2009

Vietnã: há 35 anos da derrota dos Estados Unidos

Faz 35 anos, em 30 de abril de 1975, os tanques das Forças Armadas Populares de Libertação do Vietnã penetraram nos muros exteriores do antigo Palácio Presidencial de Saigon e seus combatentes içaram as bandeiras vitoriosas do Governo Revolucionário Provisório e da Frente Nacional de Libertação.
A guerra e a ocupação militar e política dos Estados Unidos terminaram nesse dia, definitivamente.
Havia passado mais de uma década desde que, em agosto de 1964, o governo dos Estados Unidos, presidido então por Lyndon B. Johnson, havia cometido a grande fraude da auto-agressão a um barco norte-americano. O fato foi conhecido como "acontecimentos do Golfo de Tonkín" e serviu de pretexto para iniciar a guerra aérea de destruição contra o Norte do Vietnã e justificar a guerra especial no Sul.
Na realidade, desde 1971 os estadunidenses haviam começado a perder a guerra quando não puderam controlar as fronteiras entre Vietnã, Laos e Camboja pela estrada 9 e o Pentágono fora derrotado em sua guerra meteorológica, que tinha como objetivos danificar os diques e represas do Norte.

As forças de Lon Nol e Sirik Matak, no Camboja, estavam em bancarrota, as zonas liberadas abarcavam mais de 50% dos cenários da guerra, e uma forte ofensiva militar dos patriotas do Sul havia obrigado a Casa Branca a assinar os acordos de Paris de 27 de janeiro de 1973 para restabelecer a paz no Norte. Mas os Estados Unidos não se haviam rendido e o presidente de então, Richard M. Nixon,mantinha sua febril e veemente ideia de dominar e acabar com as forças de libertação. Os ocupantes tinham deslocado, nas cinco zonas militares em que dividiram o Sul do país, 1 milhão 200 mil soldados saigoneses, agrupados em 13 divisões, sem incluir o pessoal da marinha e da aviação, esta última dotada de mil 800 aparatos táticos, a metade deles helicópteros, mil 400 unidades de superfície, 2 mil embarcações fluviais, sofisticados equipamentos de comunicação e de outras especialidades.

Contavam, além disso, com cinco super portos, numerosas bases aeronavais, como as de Da Nang, a maior do mundo então, Cam Ranh, 10 aeroportos de envergadura como o de Tan Son Nhut em Saigon e 200 médios e pequenos aeroportos.
VietcongAnte a evidente deterioração da situação do inimigo e das flagrantes violações dos acordos de Paris por parte de Washington, o comando político vietnamita instruiu o Estado-maior de suas Forças Armadas a preparar a batalha final pela libertação, quando apenas começava o ano 1974. A primeira prova se produziu com a batalha contra a base de Phuoc Long, onde estavam acantonados 5 mil soldados do regime saigonês.
A essa vitória sucederam muitas outras, as quais determinaram que o Comitê Central escolhesse 10 de março de 1975 como data para lançar a grande ofensiva final.

O ponto de partida foi a cobiçada Buon Me Thuot, nos planaltos centrais, onde as forças de libertação, em vez de atacar a periferia como costumavam fazer, se ccomunicação. Dessa maneira, deixaram o país dividido pela metade, debilitando as tropas inimigas, o que possibilitou que fossem caindo escalonadamente baluartes militares como Pleikú, Che Reo, Hue, Da Nang, Nha Trang, Luang Tri e muitos outros.
A longa e fortificada cadeia de bases e acampamentos militares saigoneses em toda a extensão do país se foi desmantelando como um castelo de cartas, a uma velocidade insuspeitável.
Assím o percebíamos os que nesse momento estávamos em Hanoi e corroborávamos com os especialistas militares que nossos anfitriões do Norte punham a nossa disposição para ter de primeira mão notícias do que acontecia e fazer reportagens fiéis para nossos meios de comunicação.

Durante os dias 26, 27 e 28 de abril, a ofensiva patriota se generalizou por toda a faixa costeira e permitiu consolidar o dominio das regiões militares I e II. Aquilo determinou a decisão do Comitê Central de ordenar a Operação Ho Chi Minh pela libertação de Saigon, que originalmente não estava no plano, segundo nos explicaram ulteriormente os chefes da ofensiva.

A batalha final se iniciou com combates encarniçados em Long Binh, Xuan Loc, Bien Hoa e Cu Chi, casa por casa e polegada a polegada, para romper o famoso cordão sanitário que protegíi militarmente a capital sulista. Ho Chi MinA Operação Ho Chi Minh foi fulminante e durou menos de 48 horas.
No dia 28, vendo já indefectivelmente perdido o regime de Nguyen Van Thieu, o embaixador estadunidense Graham Martin fugiu de Saigon pelo telhado da sede diplomática num helicóptero, vergonhosa cena que ficou impressa para a história em jornais, revistas e filmes.

Às 13h30 do 30 de abril de 1975, três tanques PT76 e duas tanquetas norte-americanas repletas de jubilosos combatentes revolucionários, baixavam a toda velocidade pela rua Pesteur em direção ao rio Mekong em meio a aclamações; chegaram ao Palácio Presidencial e irromperam nele derrubando em sua passagem uma parte do muro exterior que o rodeava. Poucos dias depois, quando o mundo já havia festejado o Primeiro de Maio, dia dos Trabalhadores, e com a grata coincidência de ser o mês de nascimento e de homenagem ao heroi eterno do país, Saigon foi batizada para sempre com seu nome: Cidade Ho Chi Minh.

O general Vo Nguyen Giap, a quem encontramos de maneira fortuita nas praias de Nha Trang rumo a Saigon ainda com cheiro de pólvora, nos confirmava o êxito rotundo e definitivo da guerra de todo o povo.
Em 30 de abril de 1975, não só caiu o regime títere saigonês e com ele a ocupação do então Vietnã do Sul que o governo dos Estados Unidos havia sustentado a um preço desmesurado desde a derrota dos colonialistas franceses na década dos anos 50 do século passado.
Caiu um regime despótico, cruel e sanguinário, instalado pelo imperialismo no Vietnã do Sul a sangue e fogo, com o que haviam estancado no paralelo 17 a revolução nacional democrática liderada por Ho Chi Minh.

Foi quebrada uma estratégia depurada dos imperialistas para produzir o neocolonialismo estadunidense em série, e sepultada a expansão norte-americana no Sudeste da Ásia. E, naquele então, resultou frustrada a possibilidade de que a experiência estadunidense na Indochina fosse aplicada na América Latina, África e outras zonas de influência norte-americana. No plano corporativo, também ficaram para trás as ambições desmedidas das transnacionais de arrancar até as últimas riquezas naturais da Península.

No estratégico, saiu derrotada a manuseada e enfermiça sede de vitória por meio das armas que propugnava o chamado "mundo livre".
O Vietnã, realmente, teve que marcar o limite até o qual poderia chegar o expansionismo norte-americano.

Com o Afeganistão e o Iraque, e com o estabelecimento de bases militares na Colômbia, as últimas administrações estadunidenses, incluída a de Barack Obama, demonstraram que não querem aprender as lições da história.
Por isso mesmo, a experiência do Vietnã não pode ser desaproveitada pela América Latina nestes tempos de tantos perigos, ameaças e aventureirismos.

sábado, 30 de maio de 2009

Engano e crime: inseparáveis nas agressões contra Cuba

Havana, 15 abr. (PL) - Engano e crime parecem ser duas partes inseparáveis nas agressões contra Cuba, atacada hoje por uma campanha mediática e 49 anos atrás vítima de bombardeios de oito aviões B-26. Essas aeronaves, com as insignas da Força Aérea Revolucionária e o símbolo nacional, respondiam aos interesses mercenários e, em lugar de defender um povo vitorioso, arremeteram de maneira vil contra ele.

Quase meio século depois, os mesmos inimigos, eternos violadores dos direitos humanos, impulsioram uma onda internacional de mentiras em aras de desacreditar um processo que pôs o homem como verdadeiro protagonista do bem social. A carga mortífera dos B-26 encontrou alvos em três aeroportos da maior ds Antilhas: um no municipio havaneiro de San Antonio de los Baños, outro nesta capital e o último na oriental cidade de Santiago de Cuba.

O propósito dos ataques era destruir os aviões em terra e privar à maior ds Antilhas desses meios para sua defesa ante a invasão que por Playa Girón, na ocidental província de Matanzas, ocorreria umas horas depois. Naquela madrugada de 15 de abril de 1961, artilheiros, pilotos e mecânicos cubanos ocuparam rapidamente seus postos e muitos jovens puseram a funcionar todas as peças antiaéreas em questão de segundos.

De acordo com testemunhos de protagonistas de ditos sucessos uma decisão ocupava suas mentes: defender até as últimas consequências a independência e soberania conquistadas com muito sangue, suor e sacrifício. Sete mortos e 53 feridos constituiram o nefasto saldo para os cubanos, que desde esses instantes permaneceram em pé de guerra durante quatro dias para assestar a primeira derrota do imperialismo estadunidense em América Latina.

A administração norte-americana reconheceu a paternidade dos ataques dos referidos aviões e a posterior invasão mercenária conhecida em círculos políticos de Washington como a da Baía dos Porcos. Entre as vítimas fatais esteve o jovem de 25 anos Eduardo García Delgado, membro das Milícias Nacionais Revolucionárias e artilheiro do aeropuerto de Ciudad Libertad na capital, um dos bombardeados.

Momentos antes de perder la vida, este homem, que figura na lista de mais de 2. 350 compatriotas seus mortos em consequência da política agressiva dos Estados Unidos contra Cuba desde 1959, escreveu com seu sangue "Fidel". O gesto de García Delgado encerra uma grande dose de simbolismo e a fidelidade ao líder da Revolucção cubana, Fidel Castro, guia de um processo que resistiu com sobrada dose de dignidade a inumeráveis ataques.

Inspirado no heróico comportamento, o Poeta Nacional cubano, Nicolás Guillén, criou um poema intitulado "La Sangre Numerosa", cujos primeiros versos afirmam: "Quando com sangue escreve/ Fidel este soldado que pela Patria morre/ não digais miserere:/esse sangue é o símbolo da Pátria que vive".

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Brincadeiras do Folclore

O que são

Além dos contos, danças, festas e lendas, o folclore brasileiro é marcado pelas tradicionais brincadeiras. As brincadeiras folclóricas são aquelas que passam de geração para geração. Muitas delas existem há décadas ou até séculos. Costumam sofrer modificações de acordo com a região e a época, porém, a essência das brincadeiras continua a mesma da origem.

Grande parte das brincadeiras folclóricas envolve disputas individuais ou em grupos. Possibilitam também a integração e o desenvolvimento social e motor das crianças.

A preservação destas brincadeiras é muito importante para a manutenção da cultura folclórica. Por isso, são muito praticadas, principalmente, durante o mês de agosto que é destinado ao folclore.

Jogos, brincadeiras e brinquedos do folclore:

- Soltar pipa: as pipas, também conhecidas como papagaios, são feitas de varetas de madeira e papel. Coloridas, são empinadas (soltadas) pelos meninos em dias de vento. Com uma linha, os garotos conseguem direcionar e fazer malabarismos no céu.

- Estilingue: também conhecidos como bodoques, são feitos de galhos de madeira e borracha. Os meninos usam pedras para acertar alvos (latas, garrafas e outros objetos).

- Pega-pega: esta brincadeira envolve muita atividade física. Uma criança deve correr e tocar outra. A criança tocada passa ter que fazer o mesmo.

- Esconde-esconde: o objetivo é se esconder e não ser encontrado pela criança que está procurando. A criança que deverá procurar deve ficar de olhos tapados e contar até certo número enquanto as outras se escondem. Para ganhar, a criança que está procurando deve encontrar todos os escondidos e correr para a base.

- Bola de gude: coloridas e feitas de vidro, são jogadas no chão de terra pelos meninos. O objetivo é bater na bolinha do adversário para ganhar pontos ou a própria bola do colega.

- Boneca de pano: feitas pelas mães e avós, são usadas em brincadeiras pelas meninas para simular crianças integrantes de uma família imaginária.

- Pião: a brincadeira de pião ainda faz muito sucesso, principalmente, nas regiões do interior do Brasil. Feitos de madeira, os piões são rodados no chão através de um barbante que é enrolado e puxado com força. Muitas crianças pintam seus piões. Para deixar mais emocionante a brincadeira, muitos meninos fazem malabarismo com os piões enquanto eles rodam. O mais conhecido é pegar o pião com a palma da mão enquanto ele está rodando.

sábado, 2 de maio de 2009

Recordada libertação do fascismo na Alemanha

Berlim, 8 mai. (PL) ─ Dezenas de milhares de pessoas evocaram hoje na Alemanha o Dia da Libertação do fascismo há 65 anos.
Desde as primeiras horas deste sábado, os assistentes à comemoração depositaram flores no monumento do parque berlinense de Treptow, erigido entre 1947 e 1949, como tumba para cinco mil soldados soviéticos caídos na luta contra os nazistas.

Agrupações antifascistas organizaram uma festa popular no parque, enquanto em outras cidades da Alemanha se efetuaram atividades pela efeméride.
Em 8 de maio de 1945, o marechal de campo nazista Wilhelm Keitel assinou a rendição oficial da Alemanha nazista diante do marechal russo Georgi Zhúkov, do Exército Vermelho,no bairro berlinense de Karlshorst.

Entretanto,o 8 de maio já não é um dia festivo oficial na Alemanha.
Somente no estado federado de Mecklemburgo-Pomerania Ocidental se celebra a capitulação da Alemanha nazista, herança da desaparecida República Democrática Alemã.
Numa entrevista com o jornal socialista Neues Deutschland, o presidente da Associação de perseguidos do regime nazista-Liga de Antifascistas (VVN-BdA), Hans Coppi, advertiu contra uma troca de paradigmas no tratamento da história.

Em muitos países europeus, o 8 de maio prossegue sendo um dia festivo, disse Coppi.
Entretanto, recordou que o Parlamento Europeu votou há umas semanas com uma maioria conservadora pelo 23 de agosto de 1939 como día comemorativo europeu "para as vítimas de todos os regímenes totálitarios e autoritários".

Conforme o presidente de la VVN-BdA, "tratam de eliminar o 8 de maio como símbolo de uma identidade europeia comum para equiparar o comunismo com o fascismo".
Nesse contexto, funcionários europeus pretendem atribuir à antiga União Soviética e à Alemanha nazista a mesma responsabilidade pela Segunda Guerra Mundial, agregou o presidente da associação antifascista mais antiga da Alemanha.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Lenda do Negrinho do Pastoreio

O Negrinho do Pastoreio é uma lenda do folclore brasileiro surgida no Rio Grande do Sul. De origem africana, esta lenda surgiu no século XIX, período em que ainda havia escravidão no Brasil. Esta lenda retrata muito bem a violência e injustiça impostas aos escravos.

A lenda

De acordo com a lenda, havia um menino negro escravo, de quatorze anos, que possuía a tarefa de cuidar do pasto e dos cavalos de um rico fazendeiro. Porém, num determinado dia, o menino voltou do trabalho e foi acusado pelo patrão de ter perdido um dos cavalos. O fazendeiro mandou açoitar o menino, que teve que voltar ao pasto para recuperar o cavalo. Após horas procurando, não conseguiu encontrar o tal cavalo. Ao retornar á fazenda foi novamente castigado pelo fazendeiro. Desta vez, o patrão, para aumentar o castigo. colocou o menino pelado dentro de um formigueiro. No dia seguinte, o patrão foi ver a situação do menino escravo e ficou surpreso. O garoto estava livre, sem nenhum ferimento e montado no cavalo baio que havia sumido. Conta a lenda que foi um milagre que salvou o menino, que foi transformado num anjo.

Objetos perdidos

O Negrinho do Pastoreio é considerado, por aqueles que acreditam na lenda, como o protetor das pessoas que perdem algo. De acordo com a crença, ao perder alguma coisa, basta pedir para o menino do pastoreio que ele ajuda a encontrar. Em retribuição, a pessoa deve acender uma vela ao menino ou comprar uma planta ou flor.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A 76 anos do assassinato de Augusto C. Sandino

SandinoManágua, 19 fev. (PL) - A Nicarágua se prepara para recordar, no próximo domingo, o 76 aniversário do assassinato de Augusto C. Sandino, considerado aqui o homem que ensinou o caminho da dignidade aos nicaraguenses. Em 21 de fevereiro de 1934, ao sair de uma reunião com o presidente Juan Bautista Sacasa, o "General de homens livres" foi capturado e posteriormente assassinado por soldados da Guarda Nacional, em cumprimento de ordens do tristemente célebre Anastasio Somoza García, então chefe desse corpo armado.
Nascido em Niquinohomo, no departamento de Masaya, em 18 de maio de 1895, Augusto Nicolás Calderón Sandino - esse era seu nome - trabalhou desde menino na colheita de café em plantações do Pacífico nicaraguense e mais tarde ganhou a vida em diversos ofícios.

Como muitos de seus compatriotas, emigrou a países vizinhos em busca de melhores oportunidades laborais e trabalhou como mecânico en Costa Rica, e nas plantações da United Fruit em Honduras e Guatemala, antes de marchar ao México, onde encontrou emprego em empresas petroleiras.As primeiras décadas do século passado foram marcadas na Nicarágua por uma grande turbulência política, que teve como principal ingrediente vários desembarques de tropas estadunidenses e a ocupação quasei permanente do país por Washington.

Nesse cenário, o jovem Sandino alimenta sua formação política com as influências de patriotas como Benjamín Zeledón, que em 1912 enfrenta os invasores norte-americanos e morre em combate em outubro desse ano.Em maio de 1926, tropas dos Estados Unidos voltam a desembarcar, desta vez por Bluefields, e começa a chamada guerra constitucionalista. Sandino, então no México, regressa ao país e em outubro desse ano se levanta em armas à frente de alguns trabalhadores das minas de San Albino.

Nos anos que se seguem, à frente de seu "pequeno exército louco", Augusto C. Sandino foi forjando sua legenda, baseada na decisão de não depor as armas e continuar o combate enquanto as tropas invasoras permanecessem no território nacional.Em janeiro de 1933, esse objetivo se consegue com a retirada do país dos invasores estadunidense. Juan Bautista Sacasa assume a presidência e o general Somoza a chefia da Guarda Nacional. Sandino viaja a Manágua em fevereiro desse ano e assina um tratado de paz.

Sem embargo, seu exemplo de patriota que não claudica era muito difícil de suportar pelas personalidades de um regime submetido plenamente aos Estados Unidos, e tampouco por Washington, que o considerava um fator de risco para seu controle absoluto da nação centro-americana.
Isso levou a seu assassinato em 21 de fevereiro, no qual Anastasio Somoza somou méritos a um expediente criminal que lhe permitiu depois ser escolhido por Washington para governar o país e iniciar uma dinastia ditatorial que manteve a Nicarágua subjugada por mais de 40 anos.É um aniversário a mais da "passagem à imortalidade" de Augusto C. Sandino, herói nacional, o que agora se preparam para recordar em numerosas localidades da geografia nicaraguense, especialmente em Niquinohomo, onde se efetuará o ato central pela efeméride.

domingo, 5 de abril de 2009

Morreu Howard Zinn, o historiador que desafiou o establishment

Howard Zinn, historiador da Universidade de Boston, ativista político, desde cedo opositor à intervenção estadunidense no Vietnã e um dos principais críticos do presidente da Universidade de Boston, John Silber, morreu de um ataque do coração em Santa Mônica (Califórnia) durante uma viajem, segundo comunicou sua família. Tinha 87anos.
«Seus escritos mudaram a consciência de toda uma geração e ajudaram a abrir novos caminhos na compreensão e no significado crucial de nossas vidas», escreveu numa ocasião Noam Chomsky, ativista da esquerda estadunidense e professor do MIT. «Quando se o chamava à ação, podia se estar sempre seguro de que ele estaria na linha de frente. Um exemplo e um guia em quem se podia confiar.»

Para o doutor Zinn, o ativismo era a extensão natural da revisão da história que fazia em suas aulas. O livro mais conhecido de Zinn, A People's History of the United States (1980), não tinha como heróis os Founding Fathers - muitos deles proprietários de escravos e profundamente vinculados ao status quo, como o Dr. Zinn assinalava no começo da obra - mas os granjeiros da Rebelião de Shay e os dirigentes sindicais da década dos trinta.Como escreveu em sua autobiografia, You Can't Be Neutral on a Moving Train (1994), «minhas aulas estavam animadas desde o princípio por minha própria história. Não só queria ser justo com outros pontos de vista, senão que também queria oferecer algo mais que "objetividade": queria que os estudantes abandonassem minha aula não melhor informados, senão que melhor preparados para renunciar ao conforto do silêncio, mais preparados para falar, para atuar contra a injustiça ali onde a vissem. Tudo isso foi, por suposto, uma boa receita para buscar-me problemas.»

Certamente foi a receita para a disputa entre Zinn e Silber. Zinn, em duas ocasiões, até ajudou a encaminhar o voto de sua faculdade para destituir o presidente da Universidade de Boston, que, por sua vez, acusou o Dr. Zinn de incêndio (uma acusação da qual rapidamente se retratou) e o citou como principal exemplo de «aqueles que envenenam tudo o que há de bom no mundo acadêmico.»O Dr. Zinn foi vice-presidente do comitê de greve quando os professores da Universidade de Boston foram à greve em 1979. Quando terminou a greve, ele e quatro colegas foram acusados de violar seus contratos ao recusar cruzar um piquete de secretárias. Os encargos contra "os cinco da Universidade de Boston" logo foram revogados.

Howard Zinn nasceu em Nova Iorque em 24 de agosto de 1922, filho de um matrimônio de imigrantes judeus, Edward Zinn, garçom de profissão, e Jennie (Rabinowitz) Zinn, dona de casa. Estudou em escola pública em Nova Iorque e trabalhou nos estaleiros do Brooklyn antes de ser alistado na Forças Aérea durante a Segunda Guerra Mundial, quando serviu num bombardeiro da Oitava, alcançando o posto de alferes e obtendo a medalha do ar.Terminada a guerra, Zinn trabalhou numa série de ofícios de pouca monta até que entrou na Universidade de Nova Iorque, graças a GI Bill, com 27 anos. O professor Zinn, que havia desposado Roslyn Schechter em 1944, trabalhava à noite num armazém carregando caminhões para custear seus estudos. Licenciado pela Universidade de Nova Iorque, prosseguiu seus estudos de doutorado na Universidade de Columbia. Foi professor auxiliar na Universidade de Upsala e professor convidado na Universidade de Brooklyn antes de dar aulas na Universidade Spelman de Atlanta, em 1956, no departamento de história, ministrando um curso sobre a história das mulheres afro-americanas. Entre seus estudantes, encontrava-se a romancista Alice Walker, que o qualificou como «o melhor professor que já teve», e Marian Wright Edelman, futura presidenta da Fundação Children's Defense.

Durante essa época, o Dr. Zinn foi um participante muito ativo do movimento dos direitos civis. Foi membro do Comitê de coordenação de estudantes para a não-violência, a organização mais militante de todas as dos direitos civis da época, e participou em numerosas manifestações.

O Dr. Zinn se converteu em professor auxiliar de ciências políticas da Universidade de Boston em 1964, na qual foi nomeado professor titular em 1966.Seu ativismo o levou a postular contra a Guerra do Vietnã. Zinn participou em numerosas palestrar e teach-ins, e atraiu a atenção de todo o país quando ele e outro destacado antibelicista, o reverendo Daniel Berrigan, visitaram Hanói em 1968 para reunir-se com três prisioneiros liberados pelos norte-vietnamitas.

A participação do Dr. Zinn no movimento anti-guerra o levou a publicar dois livros: Vietnam: The Logic of Withdrawal (1967) e Disobedience and Democracy (1968). Previamente, havia publicado La Guardia in Congress (1959) - com o qual ganhou o prêmio da Associação de História Albert J. Beveridge -, SNCC: Los nuevos abolicionistas (1964), The Southern Mystique (1964) e New Deal Thought (1966). O Dr. Zinn também foi autor de The Politics of History (1970), Postwar America (1973), Justice in Everiday Life (1974) e Declarations of Independence (1990).

Em 1988, Zinn retirou-se temporariamente da universidade para proferir conferencias e escrever. Nos últimos anos, dedicou-se sobretudo à escritura de obras teatrais, das quais foram encenadas Emma, sobre a dirigente anarquista Emma Goldman, e Daughter of Venus.
O Dr. Zinn (melhor dito: seu principal livro) participou do filme de 1997 Good Will Hunting, quando o protagonista epônimo interpretado por Matt Damon elogia A People's History e anima o personagem interpretado por Robin Williams a lê-lo. Damon, que co-escreveu o roteiro do filme, foi vizinho de Zinn em sua infância. Damon produziria anos depois a versão televisionada do livro The People Speak, que foi ao ar no Canal História em 2009. Damon também foi o narrador do documentário biográfico sobre Zinn: Hozard Zinn: You Can't Be Neutral on a Moving Train. Em seu último dia de aula na Universidade de Boston, Howard Zinn terminou a aula trinta minutos antes para unir-se a um piquete e convidou os 500 alunos de sua classe a que se unissem a ele. Uma centena o fez.A esposa do Dr. Zinn faleceu em 2008. Zinn deixa uma filha, Myla Kabat-Zinn en Lexington, um filho, Jeff de Wellfleet, três netas e dois netos.