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sábado, 30 de maio de 2009

Engano e crime: inseparáveis nas agressões contra Cuba

Havana, 15 abr. (PL) - Engano e crime parecem ser duas partes inseparáveis nas agressões contra Cuba, atacada hoje por uma campanha mediática e 49 anos atrás vítima de bombardeios de oito aviões B-26. Essas aeronaves, com as insignas da Força Aérea Revolucionária e o símbolo nacional, respondiam aos interesses mercenários e, em lugar de defender um povo vitorioso, arremeteram de maneira vil contra ele.

Quase meio século depois, os mesmos inimigos, eternos violadores dos direitos humanos, impulsioram uma onda internacional de mentiras em aras de desacreditar um processo que pôs o homem como verdadeiro protagonista do bem social. A carga mortífera dos B-26 encontrou alvos em três aeroportos da maior ds Antilhas: um no municipio havaneiro de San Antonio de los Baños, outro nesta capital e o último na oriental cidade de Santiago de Cuba.

O propósito dos ataques era destruir os aviões em terra e privar à maior ds Antilhas desses meios para sua defesa ante a invasão que por Playa Girón, na ocidental província de Matanzas, ocorreria umas horas depois. Naquela madrugada de 15 de abril de 1961, artilheiros, pilotos e mecânicos cubanos ocuparam rapidamente seus postos e muitos jovens puseram a funcionar todas as peças antiaéreas em questão de segundos.

De acordo com testemunhos de protagonistas de ditos sucessos uma decisão ocupava suas mentes: defender até as últimas consequências a independência e soberania conquistadas com muito sangue, suor e sacrifício. Sete mortos e 53 feridos constituiram o nefasto saldo para os cubanos, que desde esses instantes permaneceram em pé de guerra durante quatro dias para assestar a primeira derrota do imperialismo estadunidense em América Latina.

A administração norte-americana reconheceu a paternidade dos ataques dos referidos aviões e a posterior invasão mercenária conhecida em círculos políticos de Washington como a da Baía dos Porcos. Entre as vítimas fatais esteve o jovem de 25 anos Eduardo García Delgado, membro das Milícias Nacionais Revolucionárias e artilheiro do aeropuerto de Ciudad Libertad na capital, um dos bombardeados.

Momentos antes de perder la vida, este homem, que figura na lista de mais de 2. 350 compatriotas seus mortos em consequência da política agressiva dos Estados Unidos contra Cuba desde 1959, escreveu com seu sangue "Fidel". O gesto de García Delgado encerra uma grande dose de simbolismo e a fidelidade ao líder da Revolucção cubana, Fidel Castro, guia de um processo que resistiu com sobrada dose de dignidade a inumeráveis ataques.

Inspirado no heróico comportamento, o Poeta Nacional cubano, Nicolás Guillén, criou um poema intitulado "La Sangre Numerosa", cujos primeiros versos afirmam: "Quando com sangue escreve/ Fidel este soldado que pela Patria morre/ não digais miserere:/esse sangue é o símbolo da Pátria que vive".

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Lenda do Negrinho do Pastoreio

O Negrinho do Pastoreio é uma lenda do folclore brasileiro surgida no Rio Grande do Sul. De origem africana, esta lenda surgiu no século XIX, período em que ainda havia escravidão no Brasil. Esta lenda retrata muito bem a violência e injustiça impostas aos escravos.

A lenda

De acordo com a lenda, havia um menino negro escravo, de quatorze anos, que possuía a tarefa de cuidar do pasto e dos cavalos de um rico fazendeiro. Porém, num determinado dia, o menino voltou do trabalho e foi acusado pelo patrão de ter perdido um dos cavalos. O fazendeiro mandou açoitar o menino, que teve que voltar ao pasto para recuperar o cavalo. Após horas procurando, não conseguiu encontrar o tal cavalo. Ao retornar á fazenda foi novamente castigado pelo fazendeiro. Desta vez, o patrão, para aumentar o castigo. colocou o menino pelado dentro de um formigueiro. No dia seguinte, o patrão foi ver a situação do menino escravo e ficou surpreso. O garoto estava livre, sem nenhum ferimento e montado no cavalo baio que havia sumido. Conta a lenda que foi um milagre que salvou o menino, que foi transformado num anjo.

Objetos perdidos

O Negrinho do Pastoreio é considerado, por aqueles que acreditam na lenda, como o protetor das pessoas que perdem algo. De acordo com a crença, ao perder alguma coisa, basta pedir para o menino do pastoreio que ele ajuda a encontrar. Em retribuição, a pessoa deve acender uma vela ao menino ou comprar uma planta ou flor.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

FGV: Idealismo, Excelência e Credibilidade

A Fundação Getulio Vargas surgiu em 20 de dezembro de 1944. Seu objetivo inicial era preparar pessoal qualificado para a administração pública e privada do País. Na época, o Brasil já começava a lançar as bases para o crescimento que se confirmaria nas décadas seguintes. Antevendo a chegada de um novo tempo, a FGV decidiu expandir seu foco de atuação e, do campo restrito da administração, passou ao mais amplo das ciências sociais. A instituição extrapolou as fronteiras do ensino e avançou pelas áreas da pesquisa e da informação, até converter-se em sinônimo de centro de qualidade e de excelência.

Marca de pioneirismo e ousadia, a Fundação Getulio Vargas inaugurou, no Brasil, a graduação e a pós-graduação stricto sensu em administração pública e privada, bem como a pós-graduação em economia, psicologia, ciências contábeis e educação. A FGV também lançou as bases para uma economia bem fundamentada, a partir da elaboração do balanço de pagamento, das contas nacionais e dos índices econômicos. Iniciativas como essas ajudaram o profissional em busca de formação e até o cidadão comum a entenderem melhor o desempenho econômico e social brasileiro.

Talento
A confiabilidade dos critérios e das ações da FGV foi construída ao longo de gerações pelo talento e a dedicação de homens da estirpe de Luiz Narciso Alves de Mattos, Eugenio Gudin, Themistocles Brandão Cavalcanti, Alexandre Kafka, Octavio Gouvêa de Bulhões, Emílio Mira y Lopes e Mario Henrique Simonsen, entre outros, cuja força de vontade sempre superou todos os obstáculos. Graças a esses idealistas e ao seu empenho, líderes políticos e empresariais, executivos, pesquisadores e estudantes renovam continuamente a confiança na reputação e nos princípios da instituição, fortalecendo seu prestígio dentro e fora do País.

Os bens, produtos e serviços oferecidos pela Fundação Getulio Vargas contribuem, de modo permanente, para a elevação da produtividade e da competitividade de um grande número de empresas e para o aprimoramento de organismos públicos municipais, estaduais e federais. O sólido conhecimento das dinâmicas e práticas do mercado e a alta competência acadêmica e experiência internacional de seu corpo docente possibilitaram à FGV conceber uma oferta diversificada e abrangente para as necessidades e expectativas de seu público, seja da área governamental ou do setor privado.


Estímulo
Líder na criação e no aperfeiçoamento de idéias que contribuam para o desenvolvimento nacional, a FGV investe e estimula a pesquisa acadêmica, o que tem resultado em produção de relevância, reconhecida nacional e internacionalmente. Os temas abrangem a macro e microeconomia, finanças, direito, saúde, previdência social, pobreza e desemprego, poluição e desenvolvimento sustentável. Também são mantidos programas de pesquisa em história, ciências sociais, educação, justiça, cidadania e política. A Fundação realiza, ainda, trabalhos sob encomenda para o setor público, iniciativa privada e organismos internacionais, como o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Um dos principais produtos da FGV é a análise econômica, elaborada por especialistas do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) e da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE). A apuração de índices setoriais, que refletem o comportamento dos custos de variados segmentos da economia, é outra tradicional e prestigiada atividade da Fundação. O serviço de informações econômicas, que inclui um banco de dados sobre a economia brasileira e sobre empresas, é permanentemente utilizado por investidores e estudiosos em geral.


FGV EM AÇÃO
Educação
Primeira instituição da América Latina a criar cursos de bacharelado em Administração Pública e de Empresas, a FGV formou em meados da década de 1950 as primeiras turmas de administradores do continente, egressas da então Escola Brasileira de Administração Pública (ex-EBAP, atual EBAPE) e da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP). Atualmente, essas duas unidades e as demais que compõem o universo da Fundação perpetuam nos cursos de Graduação em Administração e Economia, e de pós-Graduação em áreas como Ciências Sociais e Direito, a tradição de qualidade no ensino que, há mais de meio século, caracteriza a entidade.

Suas escolas, em várias regiões do País, são reconhecidas também no exterior onde mantêm intercâmbio com importantes instituições, além de centros de ensino avançado da mais alta qualidade. Os programas de mestrado e doutorado da FGV continuam credenciando seus alunos a ingressarem, como bolsistas ou professores, nas mais exigentes universidades do mundo. A programação de cursos lato sensu da FGV, de ampla abrangência, tem proporcionado a profissionais em busca de atualização um aprimoramento acadêmico de altíssimo nível continuamente comprovado pelo mercado.

Especialização
Um dos exemplos de programa sofisticado de cursos de extensão e especialização disponíveis em dezenas de cidades do País é o FGV Management. Contando com professores do Rio de Janeiro e de São Paulo, oferece pós-graduação lato sensu em diversas áreas. Para as empresas, uma excelente oportunidade de valorização de seus recursos humanos é o GVpec, programa de educação continuada da FGV em São Paulo. O professorado é constituído por docentes titulados no Brasil e no exterior, com vasta experiência em ensino, pesquisa, consultoria e gestão empresarial.

Outra marca de prestígio conquistada pela FGV são os cursos in company, destinados ao público interno de uma empresa para atendimento de necessidades específicas. Entre os clientes da FGV, neste caso, figuram a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco Itaú, Furnas Centrais Elétricas e Rede Ferroviária Federal, entre outros. Na programação de curta duração, são destaques o Curso de Administração de Empresas (CADEMP), oferecido pela EBAPE; os de educação a distância, como o Centro FGV Petrobras, da EAESP, em São Paulo; e o FGV On Line.

Responsabilidade
Os cursos ministrados pela FGV exigem de seus alunos mais do que empenho e competência para assegurar a qualificação de um profissional preparado para os desafios da realidade contemporânea. O que a FGV espera continuar alcançando, com suas atividades, é a formação de cidadãos éticos, cientes de suas responsabilidades como agentes transformadores da sociedade brasileira. Mais do que formar especialistas, o que se busca é o desenvolvimento de alunos capazes de entender criticamente o conteúdo de seus cursos, onde o exercício de liderança e cidadania é fundamental.

A conexão com o mercado de trabalho compreende desde a alocação dos alunos como estagiários, trainees ou profissionais, até o acompanhamento da carreira de seus ex-estudantes, para efeito de pesquisa ou recolocação. A preocupação social da FGV engloba ainda a concessão de bolsas de estudo; o crédito educativo, que permite o financiamento de mensalidades para reembolso após a formatura; e a difusão de conhecimentos e trabalhos como o Mapa da Fome, elaborado pelo Centro de Políticas Sociais (CPS) do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), como subsídio à formulação de políticas sociais por parte de órgãos do governo.

Consultoria
No campo da consultoria, a FGV também se sobressai por agregar aos trabalhos realizados o seu maior patrimônio: a credibilidade estabelecida ao longo do tempo pela experiência, segurança e competência em tudo o que faz. Seus serviços especializados de aconselhamento e assistência técnica profissional e organizacional ajudam empresas e executivos na tomada de decisões, na identificação de novas oportunidades e escolha de novos rumos para as organizações.
Dispondo de quadros de excelência técnico-científica, a Fundação Getulio Vargas, por intermédio das atividades da FGV Projetos e do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), oferece aos clientes estudos, projetos e pesquisas em áreas diversas, como finanças corporativas, modernização administrativa e previdência, entre outras.

Programas
O avanço da globalização, a abertura da economia brasileira e a demanda por novos e diferenciados serviços levaram a FGV a segmentar suas atividades, aprofundado-as conforme os graus de exigência e expectativa da sociedade e transformando-as em programas especiais. Assim, da parceria inovadora entre a FGV e a iniciativa privada — por intermédio do Comitê de Cooperação Empresarial —, foi criado o Centro de Economia Mundial da FGV, denominado CCE-CEM, precursor no estudo e na discussão das grandes questões internacionais.

Outros frutos da tradição pioneira da FGV são o Programa de Certificação Profissional (ProFGV), uma nova modalidade de habilitação introduzida no País; o Centro Internacional de Desenvolvimento Sustentável (CIDS), que promove um padrão de desenvolvimento avançado, articulado com o bem-estar social e compatível com a realidade atual; o Programa de Estudos em Gestão Social (PEGS), dedicado à produção de experiências em gestão social e especialização de profissionais; e o Centro de Estudos do Terceiro Setor (CETS), que atua em pesquisa, ensino, treinamento e assessoria. O ProFGV, CIDS e PEGS são vinculados à EBAPE, enquanto o PEGS está vinculado à EAESP.

Informação
De importância fundamental para levar ao público a produção acadêmica da Fundação Getulio Vargas e obras de autores nacionais e estrangeiros essenciais para o estudo e o debate das ciências sociais, da economia e da administração, é a Editora FGV. Além das edições próprias, que formam um catálogo com mais de 200 títulos, a Editora executa projetos editoriais e publica livros sob encomenda para empresas e instituições. Também por meio de suas livrarias e bibliotecas, a FGV contribui para que profissionais, estudantes e o público em geral, tenham acesso ao conhecimento e à informação.

Também fonte imprescindível de informação e reflexão sobre a realidade brasileira e internacional são as revistas e o programa de televisão produzidos pela FGV. "Conjuntura Econômica" e "Revista Brasileira de Economia (RBE)", lançadas em 1947, são dois ilustres exemplos de publicações tradicionais voltadas para a abordagem econômica, embora com tratamento e apresentação distintos. Também voltadas para a divulgação da produção acadêmica e a análise crítica estão a "Revista de Administração Pública (RAP)" e a "Revista de Administração de Empresas (RAE)".

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

O ruir do "campo socialista": Implosão ou terceira guerra mundial?

Reflictamos no modo como o imperialismo americano conseguiu engolir a Nicarágua. Submeteu-a ao bloqueio económico e militar, ao controlo e à conspiração por parte dos seus serviços secretos, à colocação de minas nos portos, a uma guerra não declarada, mas sangrenta, suja e contrária ao direito internacional. Perante tudo isto, o governo sandinista viu-se obrigado a tomar medidas limitadas de defesa contra a agressão externa e a reacção interna. E logo a administração EUA se arma em defensora dos direitos democráticos espezinhados pelo "totalitarismo" e desencadeia a sua potência de fogo multi-mediático contra o governo sandinista, no âmbito de uma campanha que, se viu em primeiro plano a hierarquia católica, não deixou de arrastar algumas boas almas da "esquerda". A liberdade de manobra de Ortega perante a agressão foi sendo progressivamente reduzida e anulada. Enquanto o estrangulamento económico e a cruzada ideológica corroíam a base social de consenso do governo sandinista, as pressões militares e o terrorismo (alimentado por Washington) dos contras enfraqueciam a vontade e a capacidade de resistência. O resultado: eleições em que o imperialismo pôde fazer valer até ao fundo o seu super-poder financeiro e multi-mediático; já dessangrado e exausto, mais que nunca de faca apontada à garganta, o povo nicaraguense decidiu "livremente" ceder aos seus agressores. Não é diferente a táctica posta em acção contra Cuba. Bem, convém agora levantar uma questão: o ruir (pelo menos momentâneo) do regime sandinista é o resultado de uma "implosão"? Pode ser assimilado a "implosão" ou "colapso" o derrube, que desde há decénios o imperialismo americano persegue, de Fidel Castro e do socialismo cubano?

Neste caso, é imediatamente evidente o carácter mistificador de categorias que pretendem configurar como um processo meramente espontâneo e totalmente interno uma derrocada ou uma crise que não podem ser desligados da formidável pressão exercida a todos os níveis pelo imperialismo. Contudo, a categoria de "implosão" já não resulta persuasiva se, em vez da Nicarágua e Cuba, for aplicada à parábola do "campo socialista" no seu conjunto. Já em 1947, no momento em que formula a política da "contenção", o seu teórico, George F. Kennan explicita que é preciso influenciar "os desenvolvimentos internos da Rússia e do movimento comunista internacional", e não só por meio da "actividade de informação" dos serviços secretos, que no entanto - sublinha o autorizado conselheiro da embaixada americana em Moscovo e da administração EUA - não deve ser descurada. Em termos mais gerais e mais ambiciosos, trata-se de "aumentar enormemente as tensões (strains) sob as quais terá de actuar a política soviética", de modo a "promover tendências que deverão no fim encontrar a sua saída ou na ruptura ou no amolecimento do poder soviético". A que normalmente, com um singular eufemismo, é chamada "implosão" aqui é definida com precisão uma "ruptura" (break-up) que é tão pouco espontânea que pode ser prevista, programada e activamente promovida com mais de quarenta anos de avanço. No plano internacional, as relações de força económicas, políticas e militares são tais - prossegue ainda Kennan - que o Ocidente pode exercer algo parecido com um "poder de vida e de morte sobre o movimento comunista" e sobre a União Soviética. [3]

Nas origens da guerra-fria
O ruir do "campo socialista" portanto terá de ser colocado dentro de uma impiedosa prova de força. É a chamada guerra-fria. Esta investe todo o planeta e prolonga-se por decénios. Nos inícios dos anos 50, as suas modalidades são assim explicitadas pelo general americano James Doolittle: "Não há regras nesse jogo. Já não são válidas as normas de comportamento humano aceitáveis até agora... Devemos... aprender a subverter, sabotar e destruir os nossos inimigos com métodos mais inteligentes, mais sofisticados e mais eficazes do que os por eles usados contra nós".

A estas mesmas conclusões chega Eisenhower, o qual não foi por acaso que passou do cargo de supremo comandante militar na Europa para o de presidente dos EUA. Estamos em presença de uma prova de força que não só é conduzida, de um lado e do outro, sem exclusão de golpes (espionagem, conspiração, golpes de Estado, etc), mas que em diversas ocasiões se transforma, em várias áreas do globo, numa verdadeira guerra. É o que acontece por exemplo, na Coreia. Em Janeiro de 1952, para desbloquear a situação de empate nas operações militares, Truman acaricia uma ideia radical que chega a transcrever numa nota do seu diário: poder-se-ia fazer um ultimato à URSS e à China Popular, esclarecendo antes que a falta de obediência "significa que Moscovo, São Petersburgo, Mukden, Vladivostok, Pequim, Xangai, Port Arthur, Dairen, Odessa, Estalinegrado e todas as instalações militares ou industriais na China e na União Soviética seriam eliminadas" (eliminated). [5] Não se trata apenas de uma reflexão privada: durante a guerra da Coreia, em várias ocasiões a arma atómica foi brandida contra a República Popular da China; e a ameaça resulta tanto mais crível devido à lembrança, ainda viva e terrível, de Hiroshima e Nagasaki.

Não há dúvida de que com a dissolução, ou melhor, com o break-up, da URSS em 1991 se concluiu a guerra-fria. Mas quando começou? Já está claramente em curso enquanto ainda se mantém aceso o segundo conflito mundial. Hiroshima e Nagasaki são destruídas quando é já claro que o Japão está disposto a render-se; mais do que um país já derrotado, o recurso à bomba atómica tem em mira a URSS: é esta a conclusão a que chegam autorizados historiadores americanos, na base de uma documentação indesmentível. A nova arma terrível não pode ser experimentada com efeitos demonstrativos numa zona deserta, mas tem de ser já lançada sobre duas cidades, de modo que os soviéticos compreendam imediatamente e até ao fundo a realidade das relações de força e a determinação estado-unidense de não recuar perante nada. E com efeito, Churchill já se declara pronto, em caso de necessidade, a "eliminar todos os centros industriais russos", enquanto o secretário de Estado dos EUA Stimson acalenta por algum tempo a ideia de "obrigar a União Soviética a abandonar ou a modificar radicalmente todo o seu sistema de governo".

Verifica-se assim um paradoxo. A opor-se ou a mostrar-se relutantes ao projecto de bombardeamento são os chefes militares, sobretudo da marinha. "Bárbara" foi considerada a nova arma: ela atinge indiscriminadamente "mulheres e crianças", não é melhor que as "armas bacteriológicas" e que os "gases venenosos" proibidos pela Convenção de Genebra. Ainda por cima, o Japão está "já derrotado e pronto a render-se". Estes chefes militares ignoram que a arma atómica na realidade tem em mira a União Soviética, o único país agora em condições de contrariar o programa, explicitamente enunciado por Truman numa reunião de gabinete de 7 de Setembro de 1945, de fazer dos EUA o "gendarme e xerife do mundo". A notícia da horrível destruição de Hiroshima e Nagasaki provoca inquietação e inclusivamente indignação na opinião pública americana, e eis que em 1947 Stimson intervém totalitariamente com um artigo sensacionalista por todos os meios de informação para difundir a lenda e a mentira segundo a qual aquelas duas matanças indiscriminadas tinham sido necessárias para salvar milhões de vidas humanas. Na realidade - sublinha ainda o historiador americano aqui citado - era preciso bloquear de todas as maneiras a onda de críticas com o fim de habituar a opinião pública à ideia da absoluta normalidade do recurso à arma atómica (e de novo era avisada a URSS).

No Japão verifica-se outro facto decisivo para compreender a guerra-fria. Na sua agressão contra a China o exército imperial tinha-se manchado de crimes horríveis, utilizando não poucos prisioneiros como cobaias para a vivissecção e outras atrozes experiências e empregando contra a população civil armas bacteriológicas. Aos responsáveis e aos membros da famigerada unidade 731, a estes criminosos de guerra, os EUA garantem a impunidade em troca da entrega de todos os dados recolhidos. No âmbito da guerra-fria que agora se delineia, juntamente com as armas atómicas apontam-se também as bacteriológicas.

Vemos assim os inícios da guerra-fria entrelaçarem-se com a fase final da segunda guerra mundial. Na realidade, para ver como se entrelaçam não é preciso esperar por 1945. É esclarecedora a declaração feita por Truman logo a seguir à agressão nazi da URSS. Neste momento os Estados Unidos formalmente ainda não entraram em guerra, mas já estão de facto alinhados ao lado da Grã-Bretanha. Compreende-se portanto que o futuro presidente dos EUA se preocupe em explicitar que não quer "em caso algum ver Hitler vencedor". Contudo, por outro lado não hesita em declarar: "Se virmos vencer a Alemanha, devemos ajudar a Rússia, e se virmos vencer a Rússia devemos ajudar a Alemanha. Deixemos assim que se matem o mais possível". Isto é, apesar da aliança de facto do seu país com a Grã--Bretanha e portanto, indirectamente, com a URSS, Truman exprime todo o seu interesse ou entusiasmo pelo dessangramento do país nascido da revolução de Outubro. Nesse mesmo período de tempo, exprime conceitos semelhantes aos de Truman o ministro britânico Lorde Brabazon: é verdade que será obrigado a demitir-se, mas conta o facto de importantes círculos da Grã-Bretanha continuarem a encarar como um inimigo mortal a União Soviética com a qual contudo são formalmente aliados.

Tornando-se vice-presidente em 1944 e presidente no ano seguinte, Truman empenha-se em realizar o programa enunciado no verão de 1941. Deve-se acrescentar que o objectivo do enfraquecimento (ou do dessangramento) da URSS também não parece ter sido estranho a Franklin Delano Roosevelt (o qual, não por acaso, durante um ano teve como seu vice Truman). Quando se torna claro que seria a União Soviética e já não a Grã-Bretanha a emergir no fim da guerra "como o principal opositor a uma "pax americana" global", Roosevelt - observa um historiador alemão - alterou de modo radical a sua estratégia militar: "A consequência de deixar que a União Soviética fizesse o esforço maior para a vitória sobre a Alemanha teve expressão na decisão de predispor no seu conjunto só 89 divisões em vez das 215 previstas pelo Victory Programm deslocando o baricentro do armamento americano para a marinha e a aviação com a finalidade de construir uma potência naval e aérea superior".

Talvez se tenha de começar ainda mais atrás, e é significativo que André Fontaine, na sua História da guerra-fria, tenha partido da revolução de Outubro, que na realidade foi combatida com uma guerra-fria e quente. Se examinarmos o período que vai de Outubro de 1917 a 1953 (ano da morte de Estaline), vemos a Alemanha e as potências anglo-saxónicas alternar-se ou empenhar-se numa espécie de estafeta. À agressão da Alemanha de Guilherme II (até à paz de Brest-Litovsk) seguem-se as desencadeadas primeiro pela Entente e depois pela Alemanha hitleriana, e por fim a verdadeira "guerra-fria" que já tinha porém começado a manifestar-se decénios antes, entrelaçando-se mesmo com os dois conflitos mundiais.

Uma mistura fatal: o novo rosto da guerra
Em relação à URSS e ao "campo socialista" foi posta em movimento a mesma mistura de pressões económicas, ideológicas e militares com que a administração EUA conseguiu provocar a queda do governo sandinista e espera provocar a "ruptura" do sistema político-social cubano.Este modo novo e mais articulado e sofisticado de fazer a guerra foi sendo pouco a pouco elaborado precisamente no decorrer da longa prova de força empreendida contra a sociedade nascida da revolução de Outubro. Enviar soldados contra a Rússia soviética - sublinha Herbert Hoover, elevado expoente da administração americana e futuro presidente dos Estados Unidos - significa expô-los "à infecção de ideias bolcheviques". É melhor avançar com o bloqueio económico em relação ao inimigo e com a ameaça do bloqueio económico em relação aos povos inclinados a deixar-se seduzir por Moscovo: o perigo da morte por inanição fá-los-á recuperar o bom senso. O primeiro-ministro francês, Georges Clemenceau, é de imediato fascinado pela proposta de Hoover: reconhece que se trata de "uma arma realmente eficaz" e que apresenta "maiores possibilidades de sucesso que a intervenção militar". Indignado fica Gramsci com a chantagem formulada pelos imperialistas: "Ou a bolsa ou a vida! Ou a ordem burguesa ou a fome"!

Outra arma tem sido preparada a partir sobretudo da guerra fria propriamente dita. Já em Novembro de 1945, o embaixador americano em Moscovo, William A. Harriman, recomenda a abertura de uma frente ideológica e propagandística contra a URSS: pode-se recorrer à difusão de jornais e revistas, claro, mas "a palavra impressa" é "fundamentalmente insatisfatória"; melhor é o recurso a potentes estações de rádio capazes de transmitir em todas as diversas línguas da União Soviética. Destas estações de rádio é repetidamente recomendada e celebrada a potência [10] . Há uma nova arma à disposição no gigantesco choque que se vai iniciando. A rádio que servira ao regime nazi para consolidar a sua base social de consenso é agora chamada a desagregar a base social de consenso do regime soviético.

Juntamente com estas novas armas continuam a actuar de modo mediato ou imediato as armas verdadeiras. O período que vai de 1945-46 a 1991 tem sido autorizadamente definido como "uma terceira guerra mundial, embora de carácter assaz particular" [11] . Com efeito, é impróprio definir "fria" uma guerra que começou com Hiroshima e Nagasaki. Trata-se de uma guerra que não só se torna periodicamente quente nas mais diversas áreas do globo, mas que em certos momentos se arrisca a ser tão quente que derrete ou quase o planeta. Até no que respeita ao confronto directo entre os dois principais antagonistas, se a frente mais imediatamente evidente é a da batalha político--diplomática, económica e propagandística, nem por isso se deve perder de vista o terrível braço de ferro militar que, mesmo sem chegar até ao choque directo e total, decerto não é falto de consequências. Trata-se de uma prova de força que actua em profundidade sobre a economia e a política do país inimigo, sobre o conjunto da sua configuração, é uma prova de força que tem em mira e até consegue, como teremos ocasião de ver, corroer as alianças, o "campo" do inimigo.

Com as coisas neste ponto, a categoria de "implosão" revela-se como um mito apologético do capitalismo e do imperialismo: é celebrada a sua indiscutível superioridade em relação a um sistema social que, tanto em Moscovo como nas Caraíbas e na América Latina, se desmorona ou cai em crise exclusivamente devido à sua interna insustentabilidade, pela sua intrínseca inferioridade. A categoria de implosão ou colapso não faz senão coroar os vencedores. É verdade, ela encontrou largo acolhimento também à esquerda, entre os comunistas, também e sobretudo entre os que se comportam como ultracomunistas e ultra-revolucionários; mas isto é só a prova da sua subalternidade ideológica e política.

Denunciar a categoria de "implosão" não significa renunciar a um balanço impiedoso da história do "socialismo real" e do movimento comunista internacional. Pelo contrário, só se torna possível um balanço a partir da tomada de consciência da realidade da "terceira guerra mundial". Por outro lado, para que este balanço impiedoso não seja de nenhum modo confundido com a capitulação, é necessário conduzir até ao fundo a crítica do comportamento sob o signo da subalternidade e do primitivismo religioso que no movimento comunista ganhou pé a partir da derrota.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

A historia e Os Bandeirantes

Segundo um Bando Real de 1570, a Lei das Ordenanças, nas zonas rurais, em vez da Companhia de Ordenanças, se organizava uma Bandeira: tinha formação similar à de uma companhia sendo seus componentes divididos em esquadras, reunindo-se os que estavam até a uma légua da sede do capitão-mor. Foi com esta origem das bandeiras que, um capitão e seus cabos, exploraram e devassaram o território brasileiro (era uma forma de proteção contra os ataques indígenas que já haviam destruído uma expedição de Martim Afonso em Cananéia e de Solis no Rio da Prata).

Povoado de relevo foi o de São Paulo, e o surto das bandeiras teve origem na obra dos jesuítas com suas expedições de resgate ou tropas de resgate para libertar prisioneiros de uma tribo que, atados a cordas ou encerrados em currais, destinavam-se à morte (Os jesuítas organizaram 12 vilas no séc. XVI ao sul do rio Paranapanema. Estes padres foram advertidos por Antônio Raposo Tavares para deixarem o país. No século seguinte, todos os padres jesuítas foram expulsos das colônias portuguesas por sugestão do Marquês de Pombal).

No início da colonização, os interesses de Portugal se concentravam no litoral ou próximo dele. O extrativismo do pau-brasil, mesmo o plantio da cana-de-açúcar não se expandiram pelo interior. O fator geográfico, com certeza, foi um dos que mais desmotivaram a penetração dos colonizadores: a Serra do Mar, que mais parece uma grande muralha, recoberta por densas matas, dificultava a penetração. Em 1585, Fernão Cardim, tendo acompanhado o padre jesuíta Cristóvão de Gouveia de São Vicente a São Paulo, relatou: "O caminho é cheio de tijucos, o pior que nunca vi e sempre íamos subindo e descendo serras altíssimas e passando rios e caudais de águas frigidíssimas". Os rios serviam somente como pontos de referência, oferecendo poucas condições à navegação, com quedas d'água, corredeiras e formações rochosas. Esse foi outro fator que atrasou a penetração do branco no território brasileiro. A maioria dos Bandeirantes andavam descalços,apenas alguns com botas,normalmente de couro.Usavam coletes e armaduras para se protegerem.Usavam armas como espingardas,etc.